Jatobazinho: onça órfã resgatada no Pantanal tem a chance de voltar à natureza

Quando Jatobazinho foi encontrado, pesava 35 quilos

*Por Fábio Paschoal

Agosto de 2018, um filhote de onça-pintada foi encontrado no pátio da Escola Rural Jatobazinho, no Pantanal de Corumbá (MS). Gediendson Ribeiro de Araújo, pesquisador da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e da ONG Onças do Rio Negro, foi contatado e reuniu uma equipe para capturar o felino. Ele criou um grupo de ação – formado pelos projetos Onçafari, Onças do Rio Negro, Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros (CENAP), Instituto Homem Pantaneiro, Panthera Brasil e UFMS – para decidir qual seria o destino do animal.

O filhote, batizado de Jatobazinho, estava magro e mostrava sinais de desidratação severa. Era um macho com aproximadamente um ano e meio, idade em que as onças começam a desgarrar da mãe, mas ainda não são totalmente independentes. Provavelmente ele não conseguiu acompanhar a mãe por estar debilitado ou a mãe morreu por alguma razão e ele acabou ficando sozinho.

Jatobazinho foi levado à UFMS, mas estava em condições tão ruins que Araújo pensou que ele não iria sobreviver à primeira noite. “Ele estava muito magro, com frequência cardíaca muito baixa. Deixamos ele no soro e torcemos para que toda a medicação que nós ministramos fizesse efeito”, diz o pesquisador, “No outro dia ele já estava esperto! Aí começamos a entrar com alimentação”.

Jatobazinho após 6 meses, já recuperado, pesando 75kg

Como não havia estrutura para manter animais silvestres na UFMS, o animal foi transferido para o Centro de Reabilitação de Animais Silvestres (CRAS) de Campo Grande, órgão vinculado ao Imasul, onde começou o processo de recuperação. O grupo de ação decidiu que o melhor destino para o órfão seria a reintrodução. “A gente sempre viu o Onçafari como melhor destino para o Jatobazinho iniciar o treinamento (Onçafari Rewild) e depois soltá-lo na natureza”, afirma Araújo.

Depois de seis meses no CRAS, o animal foi levado ao Hospital Veterinário da UFMS para passar por exames e radiografias. Após ser constatado que estava saudável, foi sedado e transportado para o Refúgio Ecológico Caiman (REC), no Pantanal de Miranda, onde fica a base do Onçafari.

Recinto no Refúgio Ecológico Caiman, onde Jatobazinho ficará sob os cuidados da equipe do Onçafari Rewild – Foto: Mario Haberfeld

Jatobazinho fará parte do programa Onçafari Rewild, reconhecido pelo trabalho com Isa e Fera, duas onças-pintadas que perderam a mãe em um trágico acidente, foram resgatadas e transportadas para o REC, onde ficaram em um grande recinto de 1 hectare (com açude, árvores e lugares para os animais ficarem escondidos), passaram por um processo de treinamento para aprender a caçar e, após um ano, voltaram a viver livres na natureza.

Segundo a coordenadora do Onçafari, Lilian Rampim, Jatobazinho receberá pedaços de carne ou frango a cada dois dias. “A gente ainda não ofereceu presas vivas por dois motivos: porque ainda estamos obtendo as licenças e estamos esperando as gaiolas de captura de presas ficarem prontas”, diz a bióloga. “Saindo as licenças e chegando as gaiolas, a gente vai começar a ofertar presas vivas (uma por semana). Vamos usar a mesma receita de bolo que usamos pra Isa e pra Fera.”

Isa, a onça-pintada que ficou órfã ainda pequena – Foto: Gustavo Figueiroa

“Vamos soltar presas fáceis no início e vamos aumentando o grau de dificuldade até ele conseguir abater as presas mais difíceis (queixadas adultos e capivaras adultas)”, diz Eduardo Fragoso, biólogo do Onçafari. “Na fase final, quando ele estiver pronto, vamos colocar rádio-colar (para monitoramento), fazer uma bateria de exames para ver se está tudo bem e, provavelmente, ele será solto no Pantanal de Corumbá.”

Isa e Fera se tornaram grandes caçadoras, copularam com os machos da região, tiveram filhotes, passaram a ser observadas pela equipe do Onçafari e por turistas que visitam o REC, foram tema de documentário da BBC (Jaguars: Brazil’s Super Cats) e até viraram estrelas de uma coleção de joias. Estamos trabalhando para que o Jatobazinho tenha o mesmo sucesso.

Fera sendo observada por turistas do Refúgio Ecológico Caiman – Foto: Edu Fragoso

*Fábio Paschoal é biólogo, jornalista, guia de ecoturismo e produtor de conteúdo da GreenBond e do Onçafari

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Big 5 do Pantanal: conheça os maiores animais da planície pantaneira

Anta, cervo-do-pantanal, onça-pintada, capivara e tamanduá-bandeira, os Big 5 do Pantanal – Foto da onça-pintada: Edu Fragoso. Demais fotos: Fábio Paschoal

*Por Fábio Paschoal

Leopardo, elefante, rinoceronte, leão e búfalo. Eles eram considerados os animais mais difíceis de serem caçados na África e, por isso, eram chamados de Big 5 (podemos falar deles num outro post). Hoje, as operadoras de turismo se apropriaram do termo e esses animais se transformaram nas estrelas dos safáris fotográficos mais desejadas por turistas que visitam o continente africano.

No Pantanal o termo também é utilizado, mas ainda não há um consenso sobre quais seriam os cinco grandes da maior planície alagável do mundo. De qualquer maneira, nós do Onçafari elegemos os nossos Big 5 do Pantanal

Onça-pintada (Panthera onca). Segundo a Lista de Espécies da Fauna Brasileira Ameaçadas de Extinção, elaborada pelo ICMBio, a espécie ocorria em todos os biomas brasileiros, mas hoje está extinta nos Pampas, é classificada como criticamente em perigo na Caatinga e na Mata Atlântica, em perigo no Cerrado e vulnerável no Pantanal e na Amazônia – Foto: Edu Fragoso

1. Onça-pintada

A onça-pintada é o maior felino das Américas e o terceiro do mundo (atrás do tigre e do leão). Possui um papel importante no ecossistema porque seleciona naturalmente as presas mais fáceis de serem abatidas (em geral indivíduos inexperientes, doentes ou mais velhos) fazendo o controle populacional, o que resulta em benefício para a própria população de presas. Porém, fazendeiros abatem esses predadores para proteger seus rebanhos. O desmatamento e a fragmentação do habitat são outras ameaças enfrentadas pela espécie que era encontrada dos Estados Unidos até a Argentina, mas perdeu mais de 50% de sua distribuição original.

Tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla). Categoria vulnerável na Lista de Espécies da Fauna Brasileira Ameaçadas de Extinção, elaborada pelo ICMBio – Foto: Fábio Paschoal

2. Tamanduá-bandeira

O tamanduá-bandeira é o maior de todos os tamanduás. Sua grande cauda, semelhante à uma bandeira, é responsável pelo seu nome. Quando sente uma ameaça o bandeira muda completamente de postura: apoia-se nas patas traseiras, abre os braços, mostra as garras afiadas e espera pacientemente. Se o predador investir, recebe um abraço mortal. Dessa forma pode matar até uma onça-pintada. A destruição do habitat para a agricultura, as queimadas em regiões de plantação de cana e os atropelamentos nas estradas são as maiores ameaças que a espécie precisa enfrentar.

Cervo-de-pantanal (Blastocerus dichotomus). Categoria vulnerável na Lista de Espécies da Fauna Brasileira Ameaçadas de Extinção, elaborada pelo ICMBio – Foto: Fábio Paschoal

3. Cervo-do-pantanal

Maior espécie de cervídeo da América do Sul, o cervo-do-pantanal vive em áreas alagadas com até meio metro de profundidade. Possui um casco característico com membranas interdigitais que é muito útil para distribuir o peso do animal sobre o solo lamacento e ainda ajuda na natação. Construções de hidrelétricas, drenagens das várzeas para uso na agropecuária, a possibilidade de introdução de patógenos via ungulados domésticos e a caça ilegal são as principais ameaças.

Anta (Tapirus terrestris). Categoria vulnerável na Lista de Espécies da Fauna Brasileira Ameaçadas de Extinção, elaborada pelo ICMBio – Foto: Fábio Paschoal

4. Anta

A anta-sul-americana é o maior mamífero terrestre da América do Sul. É considerada uma jardineira das florestas por ser uma excelente dispersora de sementes que contribui para a formação e manutenção da biodiversidade dos biomas brasileiros onde vive (Amazônia, Pantanal , Cerrado e Mata Atlântica). A caça ilegal, o desmatamento, a fragmentação do habitat, a competição com animais domésticos e os atropelamentos em rodovias fazem com que a população da espécie continue diminuindo.

Capivara (Hydrochoerus hydrochaeris). É um mamífero muito comum no Pantanal e não se encontra em perigo de extinção.

5. Capivara

O maior roedor do mundo é muito comum no Pantanal. As capivaras vivem em grupos liderados por um macho dominante – que esfrega sua glândula (localizada entre o nariz e os olhos) na vegetação para deixar claro que aquele território é propriedade dele. Fêmeas com filhotes e machos subordinados que ficam na periferia completam o bando. Alimentam-se de grama, plantas aquáticas e são encontradas sempre próximas da água. Possuem membranas interdigitais que ajudam na natação e quando sentem uma ameaça emitem um grito de alarme, mergulham na água e nadam até despistar o seu predador.

*Fábio Paschoal é biólogo, jornalista, guia de ecoturismo e produtor de conteúdo da GreenBond e do Onçafari

PL da Caça – Por que pode ser um passo perigoso rumo à EXTINÇÃO?

Bem vindos de volta ao blog do Onçafari! A partir de hoje voltaremos a ter publicações regulares neste nosso canal. Para recomeçar os trabalhos do blog, começamos com um assunto tão polêmico quanto absurdo.

Você já ouviu falar no PL da caça?

    O Projeto de Lei 6268/2016, mais conhecido como o PL da caça, é um projeto de lei proposto pelo Deputado Federal Valdir Colatto, do MDB (SC), que tem como principal objetivo flexibilizar as leis vigentes de proteção a fauna, com o intuito de liberar o abate (caça) de animais silvestres no Brasil.

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Cabeça de onça-pintada pendurada após abate do animal  – Fonte: Imagem da internet

 

  Neste texto, vamos explicar de uma forma resumida, porém bem explicada, os pontos mais polêmicos da proposta, e o que significa cada um desses na prática.

Todos os links das propostas citadas no texto estão no fim deste post.

Ponto 1 – Criação de animais em cativeiro para abate

   Em um dos capítulos da proposta, fica liberada a implementação de reservas cinegéticas (criadouros particulares) para criação de animais da fauna silvestre, que poderão ser abatidos comercialmente em atividades de caça. Porém, no mesmo capítulo, fica proibida a criação de animais que constam na lista de animais ameaçados de extinção do Brasil.

   Bom, pelo menos proíbem a criação para abate de animais ameaçados, menos mal, certo? Errado!

   Junto com a PL, o Deputado Colatto também propôs em 2016 o Projeto de Decreto Legislativo (PDC) 427/2016, que suspende a lista oficial nacional de animais ameaçados de extinção. Ou seja: Na teoria, os animais ameaçados de extinção ficariam de fora dessa barbárie, mas na prática, não existiriam mais animais ameaçados de extinção segundo a lei, e todos os animais poderiam entrar nessa lista de abate.

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Peles de onça-pintada expostas após caçada  –  Fonte: Imagem da internet

 

Ponto 2 – Eutanásia e abate de animais silvestres

   Em outro capítulo da proposta, fica liberado o abate ou eutanásia de animais silvestres quando:

 

Os animais forem nocivos a agropecuária ou a saúde

   Ou seja, uma onça-pintada ou onça parda podem ser consideradas nocivas segundo a proposta, quando atacam algum animal de criação. O mesmo serve para papagaios ou outras aves que se alimentem de sementes nas diversas plantações pelo país, e isso pode ser aplicado a QUALQUER animal em que o fazendeiro considere nocivo a sua criação ou plantação.

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Cabeças de onça-pintada confiscadas em posse de caçadores   –  Fonte: Imagem da internet

 

Quando estiverem em superpopulação

   Quando um animal está efetivamente em superpopulação? Os pesquisadores do ICMBio, e de órgãos ambientais que estudam animais silvestres no Brasil a muitos anos, dizem ser muito difícil detectar superpopulação de espécies, quem dirá outros órgãos que sequer tem o conhecimento necessário para isso. Portanto, quem irá dizer qual espécie está superpopulosa ou não?

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Onça-pintada morta durante caçada – Fonte: Imagem da internet

 

Ponto 3 – Caça liberada em Unidades de Conservação

   Além de liberar a caça de animais ameaçados, esses abates ficam autorizados dentro de Unidades de Conservação. Ou seja, caçadores poderão abater animais ameaçados de extinção, dentro de Unidade de Conservação de Proteção Integral.

   Áreas que foram criadas com o intuito de proteger integralmente a biodiversidade, perderiam a força de proteger, e passam a ser áreas liberadas para a aniquilação de nossa fauna.

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Foto: Mario Haberfeld

 

 

Ponto 4 – Torna em apenas “infração” o que hoje é crime

  Outro absurdo da PL, é que passa-se a considerar como “Infração administrativa”, qualquer ato contra a fauna. Hoje, sendo considerado um crime, já são poucas as ações tomadas, imaginem só caso esse ato se torne apenas uma infração.

  Ou seja, além de liberar a caça, de animais em extinção, e dentro de Unidades de Conservação, quaisquer outros atos contra a fauna, ainda serão considerados como uma simples “Infração administrativa”.

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Foto: Imagem da internet

 

 

Considerações finais

   A proposta nefasta, criada e protocolada pelo ilustre Deputado Valdir Colatto, é uma clara e escancarada tentativa de sabotar a fauna silvestre, e dar um passo gigantesco em direção ao retrocesso, em uma época onde todos os países do mundo estão somando esforços, para avançar na proteção de nosso planeta.

   Junto com a PL da caça, e o Decreto para extinguir ao lista de animais ameaçados de extinção no Brasil, o Deputado Colatto também apresentou um outro projeto de Lei (PL 3786/15), que pretende liberar as rinhas de galo novamente no Brasil.

   Será que podemos confiar que alguém que apresente esse tipo de proposta, realmente queira preservar nossa biodiversidade?

Fica a critério de vocês…

somos contra a pl da caça

Foto: Gustavo Figueirôa

Links do texto:

PL da caça

PDC – 427/26 – Suspenção da lista de animais ameaçados 

PL 3786/15 – Liberação Rinha de galo

Texto por:  Gustavo Figueirôa

Biólogo, Especialista em Manejo e Conservação de Fauna/ Co-founder na empresa GreenBond

 

Aprendendo com o Londolozi

Em termos de habituação de grandes felinos o Projeto Onçafari não esta reinventando a roda. O Londolozi Game Reserve, na África do Sul, já fez isso com muito sucesso com os leopardos. De maneira alguma estou dizendo que onças e leopardos são parecidos, aliás pelo que vejo aqui eles são bem diferentes, mas o que quero dizer é que o Londolozi provou ser possível habituar grandes gatos. Eles mostraram que com tempo, perseverança, paciência e muito respeito aos animais os felinos passam a ficar tranquilos na presença de veículos.

Isso é exatamente o que queremos conseguir aqui no Pantanal. Começando pelo Refúgio Ecológico Caiman…

O Londolozi começou esse processo a cerca de 40 anos atrás e já possui muita experiência no assunto. O terreno aqui no Pantanal é muito diferente do de Sabi-Sands na África do Sul, portanto o mesmo “modelo” não pode ser exatamente replicado aqui. Mas estamos adaptando esse modelo bem sucedido na África para as condições do Pantanal.

Nas décadas de 70 e 80 o John Varty e o Elmon Mholongo rastrearam uma leopardo inúmeras vezes. Cada vez que conseguiam avista-la tentavam aproximar seu veículo cada vez um pouco mais. A cada avisamento a leopardo se sentia mais tranquila com a presença deles. Chegando cada vez mais perto, e sempre respeitando os limites impostos pela leopardo, conseguiram um dia vê-la bem de perto sem que ela se preocupasse com as presença do veículo! Eles haviam conseguido habituar o primeiro leopardo, e consequentemente os filhotes que estavam para nascer. Durante sua vida, essa leopardo, conhecida como “Mother Leopard” (Leopardo Mãe), teve 19 filhotes. Em Londolozi, depois de todos esses anos, pessoas do mundo inteiro continuam vendo os descendentes dessa leopardo.

O Projeto Onçafari esta perto de completar 2 anos e meio de existência e esta na direção certa. Conseguimos acelerar o processo de habituação acrescentando tecnologias modernas (como armadilhas fotográficas e colares com GPS e transmissão via satélite) as lições aprendidas e passadas a nós pelo Londolozi. Dois projeto pioneiros de conservação trabalhando de mãos dadas. Esse é um grande exemplo de aliança sem fronteiras em pró da conservação e que esta conservando vastos pedaços de terra em diferentes continentes.

Não há dúvidas de que o Londolozi seja o melhor lugar do mundo para se avistar leopardos selvagens.  Aliás, a frase “The leopards of Londolozi” (Os Leopardos de Londolozi) é conhecida mundialmente por amantes da natureza. Se em algum momento tiver a oportunidade de visitar a África do Sul, eu recomendo que faça uma visita a eles… vc deixará a reserva se sentindo inspirado e rejuvenescido pelo contato com a natureza.

Continuaremos trabalhando juntos com o Londolozi e frequentemente mandaremos notícias sobre nossos amigos africanos a todos os amantes de grandes felinos.

Se quiser visitar o blog do Londolozi siga o link: http://blog.londolozi.com/

Escrito por Adam Bannister

Outras mídias do Projeto Onçafari:

Web Site:

http://www.projetooncafari.com.br

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Canal no YouTube:

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Link trailer Documentário:

http://www.youtube.com/watch?v=53ZOutDhnMk

 

Programas Canal YouTube:

http://www.youtube.com/watch?v=s9KZlj_JjMc

http://www.youtube.com/watch?v=DGPPNbJkLn0

http://www.youtube.com/watch?v=1Ggy91nZaWg

https://www.youtube.com/watch?v=4d4CkcyDFAM

O que as onças pintadas comem?

Onças comem quase que qualquer coisa. Um estudo feito na região, onde esta situado o Refúgio Ecológico Caiman, em 2003-2004 copilou uma lista de coisas encontradas nas fezes de onças pintadas. Uma dieta variada é prova da capacidade de adaptação desses felinos. Leopardos na África são considerados os felinos com dietas mais variadas com quase 100 animais diferentes formando suas dietas. As onças não ficam muito atras… 85 espécies de presas!

Onças pintadas tem preferencia por mamíferos como presas. Na maior parte do Pantanal cria-se gado e portanto os bois estão entre as presas das onças pintadas. Aqui se cria gado a mais de 200 anos então podemos dizer que o gado já faz parte do dia a dia das onças. O gado faz parte da paisagem por aqui assim como as acácias fazem parte da paisagem nas savanas africanas.

Presas com mais de 15Kg representam cerca de 60% da dieta das onças. No estudo, a presa mais comum foram as capivaras (31%) seguidas dos jacarés (20%). Outra espécie que constitui grande parte da dieta são os cervos do Pantanal (11%).

The Capybara is a crucial component in a Jaguars diet

A capivara é essencial na dieta das onças pintadas.

I believe that the carcasses of Caiman are often dragged into the deep thickets and forests, this results in us hardly ever finding their remains.

As carcças de jacarés são frequentemente arrastadas para a mata fechada, o que as tornam difíceis de serem achadas por nós.

O estudo tbm tentou mostrar se o gado estava tendo impacto nas populações de onças pintadas. Descobriram que apesar da abundância de gado na região, 18 vezes maior que outras espécies selvagens, o gado representava 28% das prezas, representando menos de 20% da biomassa consumida. Um consumeo bem menor do que se assumia previamente, dado a quantidade de bois. O estudo mostrou que sem dúvida a população de animais selvagens pode suportar as onças pintadas e que elas não precisam do gado para sobreviver.

É claro que as chances de se achar uma carcaça de boi é muito maior do que as chances de se achar uma carcaça de capivara. Os peões tbm nos ajudam a achar carcaças e com certeza estão mais atentos a procurar carcaças de bois do que de outras espécies silvestres.

Black Vultures pick away at the decaying carcass of a young cow. This bull was killed a week before this was taken.

Urubus consumindo uma carcaça de boi. Esse boi foi caçado uma semana antes da foto ter sido tirada.

Cowboys doing their thing,,,rounding up the cattle

Peões buscando o gado.

Apesar da maioria das carcaças que achamos aqui na Caiman ser de gado, precisamos entender que isso é apenas uma fração do que as onças pintadas realmente comem.

A Tapir...the heaviest land mammal in South America

Anta, o mamífero terrestre mais pesado da Ámerica do Sul.

A heard of White- lipped Peccary. When together in big numbers these animals can be quite intimidating.

Queixadas… quando em grupos grandes podem ser bem assustadores.

The Pampas Deer

Veado campeiro.

The Giant Anteater... remarked to be one of the more difficult animals to overpower.

Tamanduá bandeira, tem a fama de ser um dos animais mais difíceis de ser caçado pelas onças. Ele é muito forte.

Escrito por: Adam Bannister
Inspirado pela pesquisa de:

Cascelli de Azevedo, F. C. and Murray, D. L. (2007). Spatial organization and food habits of jaguars (Panthera onca) in a floodplain forest. Biol. Conserv. 137: 391-402.

A primeira onça encontrada pelos “Trackers” africanos

Os “trackers” (rastreadores) Sul Africanos já ajudaram a encontrar onças no Refúgio Ecológico Caiman apenas 5 dias após sua chegada. Esperava-se que levasse algum tempo para eles se adaptarem, mas não… Richard e Andrea já chegaram, rastrearam e encotraram onças por aqui. Graças a eles mais hóspedes estão avistando esses magníficos animais.

De manhãzinha encontrei e segui as pegadas de um macho.  Quando ficou difícil de segui-las chamei os trackers no rádio e dez minutos depois eles já estavam seguindo as pegadas como se fossem cães rastreadores…

Tracks of a Male jaguar

Pegadas de uma onça pintada macho

Qualquer graminha fora do lugar era examinada. Qualquer pedrinha mexida era investigada como  a cena de um crime. Nenhuma pista era desconsiderada. Apenas 5 minutos depois e já estavam de novo na cola da onça. Mostrando muito conhecimento, os dois se comunicavam em silêncio e sumiram mata a dentro.

Eles estavam em busca do Fantasma das Florestas, a onça pintada.

Tracking a female Jaguar

Pegada de uma onça fêmea

Eles rastrearam por um terreno extremamente difícil. Após duas horas veio o sinal pelo rádio. Eles me pediram para encontra-los em um determinado local.

Por suas vozes eu já sabia que eles haviam conseguido. A equipe do Projeto Onçafari foi ansiosa até o local para saber das novidades.

Os trackers nos contaram a história de como haviam rastreado por mata fechada e áreas alagadas. Eles não tinham visto a onça mas encontraram o local onde ela havia se alimentado. Andrea e Richard nos levaram a um local onde havia uma pequena mancha de sangue no chão. Com barulhos e gestos eles nos contaram o que tinha acontecido. A onça havia arrastado sua caça para dentro da mata fechada, talvez para esconde-la dos urubus.

Nos preparamos para ficar no carro a cerca de 40 metros de distância. Ao cair do Sol de mais um magnífico dia aqui no Pantanal a onça apareceu. Ela voltou para se alimentar da carcaça. Tirando fotos e com sorrisos largos assistimos tudo. Sem ela se preocupar com nossa presença passamos mais de uma hora com essa onça.

A portrait of Andrea and Richard

Foto de Andrea e Richard

Continue nos acompanhando, em breve mais novidades ….

Yara, a sub adult Jaguar side on facing us at night

Uma das onças nos observando

Lhes convidamos a explorar os vários blogs e sites das propriedades e projetos involvidos nessa experiencia pioneira. Clique nos links abaixo para entrar:

Projeto Oncafari

Projeto Oncafari

Caiman Ecological Refuge

Caiman Ecological Refuge

Tracker Academy

Tracker Academy

Londolozi Game Reserve

Londolozi Game Reserve

Written and Photographed by Adam Bannister

Tracker Academy traz os primeiros rastreadores africanos para o Brasil.

A conservação de grandes felinos frequentemente precisa de idéias novas. Paixão, dedicação, perseverança e criatividade são apenas algumas das qualidades necessárias para um plano efetivo de conservação. Outro ponto crucial é a troca de experiências . Se nós humanos realmente quisermos fazer diferença em preservar o que resta de nossa flora e fauna, precisamos todos trabalhar juntos. Na cadeia alimentar tudo depende do outro, tudo esta ligado a outra coisa e nada funciona isoladamente.

O Refúgio Ecológico Caiman é uma fazenda de 53000 Hectares no Pantanal do Mato Grosso do Sul. Nos últimos 250 anos, a criação de gado foi a melhor maneira de se extrair renda das terras nessa região. Dono dessa fazenda ha quase 30 anos o empresário e ecologista Roberto Klabin exige que todos os pássaros e vida selvagem da em sua fazenda sejam preservados. Em se fazendo isso,  e continuando com um bem sucedido rebanho de gado, ele aceita que qualquer boi morto em sua fazenda por algum animal selvagem, seja contado como custo de se fazer negócio em terras tão selvagens. O resultado dessa maneira de se pensar é que sua fazenda hoje em dia é habitada por várias onças, pardas e pintadas. Além desses animais, graças a essa política de proteção total aos animais, uma grande quantidade de presas, como queixadas, capivaras, jacarés e veados também habitam suas terras, o que consequentemente cria o habitat ideal para os predadores sobreviverem.

Acreditamos que essa estratégia de proteção possa ter efeito em outras fazendas e que esse método de conservação onde criação de gado e vida selvagem convivam e proliferem lado a lado possa ser a solução para se manter o hábitat e a fauna do Pantanal preservados. Como parte desse plano o Refúgio Ecológico Caiman junto com o Projeto Onçafari formou uma aliança com a Tracker Academy, baseado no Londolozi, na Africa do Sul, para que eles possam nos ajudar a encontrar e habituar onças pintadas a fim de proliferar o eco turismo.

Dois rastreadores (trackers), formados pela Tracker Academy e treinados no famoso Londolozi Game Reserve, recentemente chegaram na Caiman. Pelos próximos 3 meses eles farão parte da equipe do Projeto Onçafari.

Andrea and Richard discussing the differences between tracking Leopard in South Africa and Jaguar in South America

Andrea e Richard falando sobre as diferenças em se rastrear leopardos em Londolozi e onças pintadas na Caiman.

Andrea Mathebula e Richard Mtabine são os dois jovens, formados pela Tracker Academy, escolhidos para começar essa fenomenal troca de expêriencias nesse projeto pioneiro. Deixando para tras os leões, girafas, rinocerontes e leopardos das savanas africanas, eles agora estão nas terras alagadas do Pantanal.

Seus Objetivos:

1.Rastreas e encontrar onças pintadas:

Tanto Andrea como Richard aprimoraram suas técnicas de rastreamento durante um curso de um ano na Tracker Academy.  Essa escola tem o objetivo de manter viva essa técnica milenar de rastreamento. Ela tem um fantástico reconhecimento em treinar “trackers” por todo o sul da África. No Brasil, Andrea e Richard, vão usar toda sua experiência para rastrear e encontra onças pintadas no Pantanal.

Aqui no Refúgio Ecológico Caiman nós temos o objetivo de habituar onças pintadas aos veiculos. Porém para se habituar, primeiro é necessário encontrar e o rastreamento sera de grande valia para isto.

Tracking is difficult and sometimes takes place through the Pantanal wetlands

O rastreamento aqui é difícil e as vezes tem de ser feito dentro da água!

Tracks...of the elusive, yet ever present Jaguar

Pegadas da ilusiva, mas sempre presente onça pintada

2. Passar seus conhecimentos a brasileiros.

Trabalhos de conservação, de todos os tipos, somente são bem sucedidos se tem continuidade. Dois membros do Projeto Onçafari (Nego Onça e Diogo) vão aprender com Richard e Andrea essa arte milenar trazida da África. Vão aprender como se “ler” o solo e a ouvir a  “linguagem” das matas. Uma vez que Andrea e Richard deixarem nossas terras e retornarem para a África, serão Nego e Diogo os responsáveis em rastrear e encontrar esses felinos topo de cadeia.

Andrea and Nego with a peccary carcass

Andrea e Nego com uma carcaça de queixada.

3. Viver novas experiências

Para os dois africanos, essa é a primeira vez que viajam para fora da África do Sul. Foi a primeira vez que andaram de avião. Devido aos seus conhecimentos eles estão tendo a oportunidade de conhecer um novo continente, pra eles isso é a oportunidade pela qual esperaram a vida toda. Aqui no Pantanal, estarão expostos a uma quantidade enorme de novas espécies de animais e plantas. Tudo que verem será novo para eles.

Os manteremos informados nos progressos desses dois grandes homens que saíram de seu país para tentar ajudar na conservação do nosso. Em breve mais novidades…

The South Africans - Andrea, Simon Bellingham, Adam Bannister and Richard

Os Sul Africanos- Andrea Mathebula, Simon Bellingham, Adam Bannister e Richard Mtabine

Andrea and Richard on the Projeto Oncafari research vehicle

Andrea e Richard em um dos carros do Projeto Oncafari

A Tracker Academy South Africa, é um projeto visionário, e em breve global, que visa a preservação de áreas naturais, a preservação de animais raros e a continuidade da arte de rastrear. A Tracker Academy em breve estará mandando membros de sua escola para a Espanha, para reservas de tigres na Índia e muitas outras partes ao redor do globo, onde terras estejam sendo “guardadas” para a conservação de espécies raras e ameaçadas de extinção.

Essa história celebra a paixão, dedicação, cooperação e o avanço de técnicas sustentáveis.

Lhes convidamos a explorar os vários blogs e sites das propriedades e projetos involvidos nessa experiencia pioneira. Clique nos links abaixo para entrar:

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Caiman Ecological Refuge

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Tracker Academy

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Londolozi Game Reserve

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Written and photographed by Adam Bannister