Sobre Nós

Missão

Estimular o ecoturismo no pantanal, contribuindo para a preservação desse ecossistema e gerando emprego e renda para donos de terra e para as comunidades que vivem nessa região.

OBJETIVO:
O Projeto Onçafari tem como objetivo estimular o ecoturismo, em especial o turismo de avistamento de animais, no pantanal. Ele faz parte de uma série de ações para contribuir com o desenvolvimento sustentável do pantanal.
PORQUE ESTIMULAR O ECOTURISMO NO PANTANAL?
O ecoturismo tem sido uma ferramenta importante em vários lugares do mundo para a preservação de áreas selvagens e como fonte de renda para donos de terra e para as comunidades que vivem nessas regiões. O exemplo africano tem sido seguido por outras regiões e áreas enormes tem sido preservadas no mundo todo apenas com os recursos gerados pelo ecoturismo. Com mais de 95% do pantanal nas mãos da iniciativa privada, o ecoturismo traria fonte de renda alternativa aos proprietários de terra para que eles preservem o ecossistema e as espécies que nele vivem. Sendo um setor que gera muitos empregos diretos e indiretos, o ecoturismo traria recursos para a população pantaneira. Isso se torna ainda mais importante ao analisarmos os conflitos existentes entre alguns animais e os fazendeiros. A onça pintada, por exemplo, eventualmente se alimenta do gado, e apesar de a caça ser proibida no Brasil, acaba sendo morta por isso. Na prática a idéia é criar valor para a natureza e para os animais, fazer eles valerem mais vivos do que mortos, e o ecoturismo é a melhor ferramenta para isso.
COMO ISSO ESTA SENDO FEITO?
O projeto esta sendo realizado simultaneamente de duas formas. A primeira visa impactar a experiência do turista que visita o pantanal, principalmente através de uma iniciativa pioneira no Brasil: a habituação da onça pintada. A segunda visa aumentar o interesse de turistas, nacionais e estrangeiros, em visitar o pantanal.
O QUE É A HABITUAÇÃO DA ONÇA PINTADA?
A habituação da onça pintada nada mais é do que gradualmente acostumar esses animais à presença de veículos com turistas. Especialistas sul-africanos, acostumados a rastrear e a se aproximar de animais selvagens, estão vindo ao pantanal com o objetivo de fazer o lento processo de aproximação dos veículos a esses animais, lentamente e de acordo com a tolerância de cada animal. É importante frisar que “habituar” as onças não consiste em domesticá-las. Elas continuam totalmente selvagens, apenas deixam de enxergar os veículos como uma ameaça e deixam de se esconder quando o mesmo se aproxima. Outro detalhe importante é que a habituação é feita com os veículos, ou seja, a onça não é habituada a pessoas. Todo esse processo esta sendo acompanhado pelo Cenap, órgão do governo federal vinculado ao Instituto Chico Mendes – ICMBio, responsável por mamíferos carnívoros .
QUANTO TEMPO LEVA O PROCESSO?
Tudo vai depender de cada animal. Quem diz quando o veículo pode se aproximar são as próprias onças. Através de seus comportamentos conseguimos avaliar o quão tolerante cada onça esta em relação a nossa presença. Alguns animais eventualmente já são vistos por veículos com turistas sem fugir, enquanto outros são mais ariscos e aceitam menos a presença. O foco do projeto são fêmeas que aceitem a presença dos veículos e tenham todo o seu territorio dentro da fazenda. Os filhotes dessas fêmeas ja nascerão vendo suas mães sem medo dos carros, e crescerão sem fugir, ficando então totalmente habituados. Ao longo do tempo os animais simplesmente ignoram a presença dos veículos. Hoje em alguns países africanos é possível ver todo tipo de comportamento dos animais selvagens: eles caçam, brincam, brigam, demarcam seus territórios e acasalam na frente de carros com turistas como se eles não estivessem ali. Como ja nasceram sem enxergar os veículos que carregam turistas como uma ameaça, praticamente os tratam como se fossem árvores que fazem parte da paisagem. Ou seja, algo que não representa risco algum.
PORQUE ESCOLHER ONÇAS QUE TENHAM TODO O SEU TERRITORIO DENTRO DA FAZENDA?
Infelizmente, apesar de proibído, ainda há pessoas que caçam onças em retaliação à predação de gado no pantanal. O processo de habituação é um processo demorado e a morte de um animal que esta sendo habituado, além de trágico, faria com que o projeto tivesse que ser recomeçado. Para saber o território de cada animal a equipe do Projeto Onçafari espalhou armadilhas fotográficas em vários pontos da fazenda onde o projeto esta sendo realizado. As imagens geradas por essas armadilhas permitem identificar cada onça e onde cada uma vive. Ainda assim, para se ter certeza do território exato de cada onça, o Cenap colocou colares com GPS em alguns indivíduos. Os colares são programados para se soltarem em uma data pré-definida e não interferem em nada na vida do animal.
ONDE ISSO TUDO COMEÇOU?
Na África do Sul, em uma região chamada Sabi Sands, leões e leopardos eram caçados por vez ou outra se alimentarem do gado, assim como ocorre hoje em dia com as onças no pantanal. Ao longo do tempo algumas fazendas na região começaram a investir no turismo de avistamento de animais, algo comum na época em outros países africanos. Os leopardos eram considerados os mais reservados entre os grandes felinos e uma breve visão desses animais eram muito raras em todo o continente, consideradas como ganhar na loteria por turistas e apaixonados por animais. Além de fisicamente parecidos com as onças, esses animais também tem um estilo de vida parecido: vivem em áreas mais densas onde é fácil se esconder ao ouvir algo considerado perigoso. Até que na década de 1980 um guia de safári decidiu seguir esses tímidos animais. Para seu espanto, ao longo do tempo, os felinos começaram a aceitar sua presença, principalmente os filhotes de adultos que já haviam sido parcialmente habituados. Hoje o Sabi Sands se transformou em uma grande área de conservação privada, foi incorporada ao famoso Kruger National Park, e é reconhecido como o melhor lugar do mundo para ver leopardos em seu habitat natural, recebendo milhares de turistas todos os anos. A fauna local gera um enorme retorno econômico, tanto para os donos das terras como para as comunidades da região que esta empregada nos serviços de hotelaria, turismo e no comércio em geral. Hoje todos protegem os animais e dependem deles para ter sua fonte de renda.
PORQUE HABITUAR A ONÇA PINTADA?
O turismo de avistamento de animais tem crescido muito no mundo todo, não apenas na África. Os turistas estão atrás de grandes animais, principalmente se em se tratando de carnívoros. Os tigres na Índia, os ursos polares do norte do Canadá, os lobos do parque Yellowstone nos Estados Unidos e os ursos do alaska são alguns exemplos de animais que atraem um enorme número de turistas e contribuem para a presenvação de grandes áreas naturais ao redor do mundo, salvando também inúmeras outras espécies que habitam os mesmos ecossistemas. O pantanal é um local com grande beleza natural e uma enorme quantidade de animais, ideal para o ecoturismo. Mas o mais carismático e desejado pelos turistas, a onça pintada, dificilmente é vista devido aos anos de caça e perseguição. Como com outras espécies carismáticas pelo mundo, o avistamento com frequência da onça pintada tem o potencial de atrair um grande número de turistas, trazendo receita para donos de terras e para as pessoas que vivem na região, além de contribuir para a conservação desse importante ecossistema e das espécies que nele vivem. Um detalhe importante é que hoje o grande conflito entre donos de terras e animais selvagens no pantanal ocorre devido à predação de gado pela onça pintada. Hoje ela é caçada por causar prejuízo aos donos de terra, apesar de estudos mostrarem que a predação real é muito menor do que o número de mortes atribuídas à onça. O turismo de avistamento de animais com foco na onça pintada tem o potencial de minimizar esse problema, fazendo com que um animal visto como causador de prejuízo passe a ser visto como um animal que traz receitas, como leões e leopardos na África.
ONDE ISSO ESTA SENDO FEITO E PORQUE?
O processo esta sendo feito inicialmente no Refugio Ecológico Caiman e pretende servir de modelo para ser replicado por todo o pantanal. A Caiman foi escolhida por apresentar algumas características essenciais para essa primeira experiência. São elas: 1) A fazenda possui 53mil hectares, grande o suficiente para possuir uma grande quantidade de onças dentro, principalmente fêmeas. Também grande o suficiente para que o território de várias fêmeas seja exclusivamente dentro da fazenda. Isso é extremamente importante pois como ainda existe muita caça de onças no pantanal, apesar de proibido, o processo seria parado e teria que começar novamente caso uma onça que esteja sendo habituada fosse morta. 2) A Caiman possui ótima estrutura de estradas, com algumas estradas elevadas nas áreas mais baixas, sendo possível circular pela fazenda ao longo de todo o ano, inclusive na época das cheias. Isso é extremamente importante, não só por facilitar o rastreamento dos animais, mas para que o processo não seja interrompido durante meses no período em que o pantanal esta alagado. 3) A Caiman ja adota há muitos anos políticas que beneficiam a vida selvagem. Lá nenhum animal é caçado pelo menos desde 1985 quando o atual proprietário a adquiriu, facilitanto o trabalho de habituação pois os animais ja não possuem tanto medo dos carros. Também não há cachorros, que acabam por espantar a vida selvagem. E a Caiman tem apoiado há anos vários projetos de conservação de espécies no pantanal. Um desses projetos realizado pelo Instituto Onça Pintada mostrou a existência de uma grande quantidade de onças dentro da fazenda. 4) A Caiman ja pratica o ecoturismo e possui uma ótima estrutura hoteleira. Isso também é bem importante, pois ao habituar as onças queremos mostrá-las aos turistas o que exige infra-estrutura para recebê-los. Após testado e provado o modelo a equipe do Projeto Onçafari pretende levar o projeto para todo o pantanal, ajudando outros donos de terra que pretendem investir no ecoturismo.
QUAIS OUTRAS INICIATIVAS FAZEM PARTE DO PROJETO PARA IMPACTAR A EXPERIÊNCIA DOS TURISTAS NO PANTANAL?
O Projeto Onçafari esta trazendo para o pantanal anos de experiência acumulada pelos africanos no turismo de avistamento de animais. Para aumentar o avistamento de animais sem impactar a vida selvagem é necessário o treinamento dos guias, com técnicas de rastreamento, protocolos nos avistamentos e documentação de avistamentos de cada animal para facilitar visualizações futuras. O Projeto Onçafari também pretende ajudar trazendo a experiência africana do dia a dia do negócio de ecoturismo, ajudando no desenvolvimento de atividades, escolha de locais para realização de almoços e jantares ao ar livre, locais para construção de esconderijos para fotografia da vida selvagem e outras formas de melhorar a experiência dos turistas no pantanal, fazendo com que os mesmos queiram voltar e indiquem o pantanal para seus familiares e amigos.
O QUE ESTA SENDO FEITO PARA AUMENTAR O INTERESSE DE TURISTAS EM VISITAR O PANTANAL?
Estamos produzindo um documentário sobre a habituação da onça pintada no pantanal para divulgação no Brasil e no exterior. O filme tem como objetivo, além de documentar essa experiência inovadora, informar sobre a possibilidade de avistamento desse maravilhoso animal, além de todos os demais que habitam o pantanal. No Brasil, queremos estimular outros donos de terra a investir no ecoturismo e a preservar a natureza, além de incentivar os brasileiros a visitar essa linda região. No exterior, o objetivo é atingir um grande número de turistas que viajam pelo mundo em busca de áreas selvagens e animais carismáticos. Além do filme, o Projeto Onçafari tem buscado a mídia e sites de relacionamento para a divulgação do projeto e do pantanal.

4 comentários em “Sobre Nós

  1. Acho perfeito o projeto. Como turismóloga, apoio totalmente a iniciativa, e acho que isso será uma ótima oportunidade para toda a comunidade pantaneira, de trabalho, educação e preservação de um bioma incrível e de extrema importância para todos nós brasileiros. Parabéns!

    • Seria interessante uma Pesquisa sobre o Porco Monteiro, fazer um inventário da população, as espécies (tendo em vista que eram domésticos), sua importância e/ou interferência no ecossistema pantaneiro, bem como a qualidade da carne e seu uso.

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