Habituando a Onça Pintada

Era uma vez na África … Um pouco mais de três décadas atrás, no leste da África do Sul, leões e leopardos matavam o gado pelas mesmas razões que as onças pintas os matam hoje em dia no Pantanal, da mesma forma estes felinos tinham o mesmo fim que muitas das onças no Brasil.

Impulsionada por uma paixão por grandes felinos e em particular o leopardo, um homem se deu a tarefa de tentar chegar mais perto de um leopardo fêmea. Após muito esforço, persistência e com muita sensibilidade, este leopardo fêmea, conhecida como a “Mother leopard” , tornou-se gradualmente mais tolerante à presença de veículos com pessoas. Este leopardo fêmea e sua prole que era ainda mais tranquila atraiu entusiastas de vida selvagem ao redor do planeta, começando assim uma nova era para o ecoturismo.

O projeto se mostrou tão bem sucedido que toda a região de criação de gado foi convertida de volta à natureza para fins de ecoturismo – hoje esta região de 60 000 hectares de reservas naturais em propriedades privadas, que possui várias pequenas pousadas, acolhem milhares de turistas a cada ano. A fauna local traz uma receita enorme, tanto para os proprietários de terras quanto para as comunidades locais – que trabalham para as pousadas, no turismo e no comércio em geral. Hoje, a vida selvagem nesta região é protegida pelas próprias comunidades que dependem dela para a sua fonte de renda. Além disso, esta região é mais valiosa hoje com animais selvagens do que seria se estivesse sendo utilizada para a criação de gado.
Queremos provar que no Pantanal é possível a pacífica convivência entre onças pintadas e seres humanos.

Em 2009, a África do Sul recebeu mais de 10 milhões de turistas estrangeiros, mais que o dobro do número de visitantes que o Brasil no mesmo período. A maioria desses turistas estavam de férias a procura de passeios e excursões nas áreas naturais e selvagens do país. Estes dados nos mostram como é altamente promissor o crescimento do ecoturismo no Brasil.

Por que a Onça Pintada?

A onça pintada é o maior felino das Américas e desperta curiosidade em todo o mundo, pois é extremamente cautelosa, misteriosa, bonita e dificilmente avistada. O processo de “habituação” garante que o animal permaneça 100% selvagem, mas confortável o suficiente para executar suas atividades diárias normais na presença de um veículo com as pessoas. Este processo pode trazer para o Pantanal o mesmo fenômeno brasileiro de preservação, comércio e turismo que tem sido observado na África do Sul. Além disso, a onça pintada está no topo da cadeia alimentar e em se protegendo este animal e o habitat em que vive, estaremos contribuindo para a preservação de toda a fauna do Pantanal – é isso que o termo “espécies guarda-chuva” implica.

A jaguar rests on the lower branches of a fallen tree - Mario Haberfeld

Uma onça descançando sobre o tronco de uma arvore caida. – Mario Haberfeld

O Processo …

A ideia é selecionar algumas onças pintadas fêmeas cujos territórios inteiros encontram-se dentro dos limites das fazenda em que iniciamos o projeto, isto evita que elas eventualmente sejam caçadas por fazendeiros vizinhos. O projeto começou em agosto de 2011. A partir de então a equipe começou um intenso período de observações diárias, gradualmente ficando mais perto dos animais a medida em que vamos ganhando a sua confiança. Depois de algum tempo, estas onças estarão um pouco ‘habituadas’ a presença de seres humanos dentro dos veículos. Os animais que ficarão realmente bem ‘habituados’ serão os filhotes, devido à presença de veículos, desde o seu nascimento. A intenção é se aproximar mais das onças pintadas do que atualmente acredita-se ser possível.

O projeto, portanto, pretende realizar o mesmo processo bem-sucedido na África do Sul. Esta “versão brasileira” vai começar no Refúgio Ecológico Caiman, no Pantanal – uma fazenda com mais de 53 mil hectares, um espaço que é grande o suficiente para abrigar os territórios de várias onças. Atualmente, estima-se que existam cerca de 45 onças pintadas habitando a propriedade.
No Refúgio Ecológico Caiman é proibida a caça e os cães não são permitidos na propriedade. Isto tem, naturalmente, provocado uma população de animais selvagens mais tolerante à presença de seres humanos. Além disso, a Caiman já possui uma excelente infraestrutura de ecoturismo, incluindo uma pista de pouso, alojamentos de pessoal e algumas das melhores pousadas da América do Sul.

Nós convidamos você a se juntar a este novo blog através do qual nós comunicaremos o progresso que está sendo feito durante o segundo ano de existência do Projeto Onçafari!

Closer than ever imagined - Mario Haberfeld

Mais peto do que se pode imaginar – Mario Haberfeld

The name Onçafari is a clever play on words. In portuguese the word 'Onca' means Jaguar. In Africa 'safari' means 'to journey' and is used in reference to travel with the intention of viewing animals. Onçafari is thus the Brazilian equivalent

Projeto Onçafari

Sun rises over the Pantanal

Sol nascendo no Pantanal… Não precisa nem de Photoshop. – Adam Bannister

Greater Rhea - Mario Haberfeld

O Pantanal tem passaros incriveis, nessa foto uma ema perto da pousada – Mario Haberfeld

A common tree known locally as Piuva, will shortly start to blossom in brilliant pink flowers. The Pantanal is truly one of the greatest wildlife experience in South America and the Projeto Oncafari team is  hoping to add regular sightings of Jaguars to the order of the day.

A Piúva é uma arvore bem comum aqui no Pantanal.

Written by Simon Bellingham

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