Entenda a diferença entre habituação e ceva de onças-pintadas

Turistas observam onça-pintada habituada pelo Onçafari no Pantanal – Foto: Gustavo Figueiroa

O Onçafari usa a habituação para tornar os avistamentos de onças-pintadas por turistas mais frequentes e mais duradouros, e permite aos pesquisadores analisar comportamentos da espécie em vida livre e coletar dados que antes só eram obtidos com animais em cativeiro. O processo não envolve métodos de domesticação (como o oferecimento de comida e contato físico com humanos) e os felinos selecionados permanecem selvagens. “Um dos grandes diferenciais da habituação é que a interação para a onça é neutra, ou seja, ela não ganha e nem perde nada durante os encontros, desempenhando todos os comportamentos naturais da espécie. O animal também sempre tem diferentes opções para entrar no mato (rotas de fuga) quando não quer ser avistado”, diz Carlos Eduardo Fragoso, biólogo do Onçafari.

A técnica de habituação começou com leopardos, no Londolozi, em Sabi Sands, uma região da África do Sul que faz fronteira com o Parque Nacional Kruger e tinha animais de criação como principal fonte de renda. O conflito entre fazendeiros e animais selvagens era um grande problema. Então, guias da região começaram a seguir um leopardo até o animal se acostumar com o carro.

Leopardo, leão, rinoceronte, elefante e búfalo formam os Big 5, os animais mais desejados por turistas que vão à África. No entanto, o felino pintado é o mais difícil de ser encontrado na natureza. Quando as pessoas começaram a perceber que poderiam ir a um lugar onde ver um leopardo era quase garantido, Sabi Sands se tornou um destino cada vez mais procurado.

Turistas observam leopardo na África – Foto: Fábio Paschoal

Os fazendeiros da área perceberam que o ecoturismo podia gerar lucro e passaram a investir em pousadas e a contratar pessoas da região para trabalhar como cozinheiros, camareiras, anfitriãs, rastreadores e guias. Os animais de criação cederam seus lugares para a vida selvagem, Sabi Sands se tornou uma reserva e um dos melhores lugares para ver leopardos na natureza.

O Onçafari adaptou a técnica para a onça-pintada no Pantanal. Um animal selecionado é seguido, dia após dia, até que ele pare de considerar os carros de safári como uma ameaça. O ideal é escolher uma fêmea. Quando ela tiver filhotes vai ensinar tudo para os pequenos. Assim, a habituação aos veículos será passada para a próxima geração.

Ceva

A ceva consiste em oferecer comida para atrair animais selvagens e facilitar encontros com turistas. A prática diminui a distância de conforto das onças-pintadas com os seres humanos e elas começam a chegar cada vez mais perto. Com o tempo, o felino pode passar a associar a figura humana com alimento e, se não receber comida, pode atacar. A onça também pode ficar dependente dessa relação e deixar de caçar ou procurar alimento de forma natural. Isso vale para outros animais também.

Em 2013, após denúncia feita pelo Instituto Homem Pantaneiro – que apresentou vídeos que comprovam a ceva de onças-pintadas no trecho que vai da parte urbana de Corumbá até Porto Jofre, no Pantanal Norte –, o Ministério Publico Federal do Mato Grosso do Sul recomendou às Fundações de Turismo e de Meio Ambiente de Corumbá/MS o fim da prática de ceva de animais silvestres no Pantanal Sul-Mato-Grossense já que a prática configura crime ambiental e pode expor turistas a ataques.

Em 2015, a Resolução número 8, de 28 de abril de 2015, editada pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente e de Desenvolvimento Econômico (Semade) do Mato Grosso do Sul estabeleceu a proibição da alimentação ou ceva de mamíferos silvestres de médio e grande porte em vida livre para atrair e aumentar a chance de observação ou garantir sua permanência em determinada localidade.

Por todas essas razões, o Onçafari nunca utilizou a ceva durante sua existência e acredita que não há privilégio maior do que encontrar uma espécie livre na natureza desempenhando todos os seus comportamentos naturalmente.

Anúncios

5 fatos que você precisa saber sobre onças-pintadas antes de fazer um safári

Turistas observam onça-pintada junto com a equipe do Onçafari e do Refúgio Ecológico Caiman, no Pantanal – Foto: Edu Fragoso

A onça-pintada está na lista de desejos da maioria das pessoas que visita o Brasil em busca de vida selvagem. Gente do mundo inteiro vai ao Pantanal na esperança de um encontro com esse predador formidável, mas nem todo o mundo sabe o que pode acontecer durante um safári fotográfico em busca da Panthera onca.

Na maioria das vezes, nosso primeiro contato com a espécie é através de fotos ou documentários que mostram os melhores momentos da vida de uma onça-pintada. Fotógrafos e documentaristas passam horas, semanas, meses e até anos para conseguirem a imagem ou sequência que desejam. Para não ficar frustrado e realmente apreciar a beleza do maior felino das Américas, fizemos uma lista com 5 fatos que você precisa saber sobre onças-pintadas antes de fazer um safári com o Onçafari.

Equipe do Onçafari e da Tracker Academy (da África do Sul) rastreando uma onça-pintada no Refúgio Ecológico Caiman, no Pantanal- Foto: Onçafari

1 – Achar uma onça-pintada é um processo que demanda tempo e dedicação

Onças-pintadas necessitam de grandes áreas para caçar e irão patrulhar seus territórios para protegê-los de invasores. Segundo o livro Panthera onca – À sombra das florestas, o território das onças-pintadas no Pantanal é de aproximadamente 30 Km². De acordo com o estudo Ecologia do Movimento e Dinâmica Espaço-Temporal da Onça-Pintada (Panthera onca) no Pantanal Sul do Brasil, no Refúgio Ecológico Caiman (REC), onde fica a base do Onçafari, a área vai de 7.42 a 37,73 Km². Rastrear os felinos não é uma tarefa fácil. Os guias do Onçafari precisam interpretar os sinais encontrados em campo e se colocar no lugar do animal para achar os felinos.

Nem sempre isso é possível e os rádios-colares ajudam nesse processo (hoje temos 10 onças monitoradas por essa tecnologia). “O colar é uma ferramenta que serve para entender a movimentação dos animais em seu habitat, descobrir os locais em que os bichos permanecem por mais tempo, entender melhor os horários de maior atividade, localizar presas abatidas (assim entendemos melhor os hábitos alimentares) e tocas (lugar onde elas tiveram crias). É uma tecnologia essencial para a pesquisa que acabamos conciliando com o ecoturismo,”  diz Carlos Eduardo Fragoso (o Edu), biólogo do Onçafari.

Dos 696 avistamentos de onças com o Onçafari em 2017, 249 (35,8%) dependeram do uso dos rádios-colares (VHF e/ou GPS) e 88% dos turistas avistaram o felino no REC (durante a estação seca, o número vai para 95,5%). Em 2018, 62 (11,46%) dos 541 avistamentos dependeram dessa tecnologia.

Em 2017, 7,2% dos avistamentos de onças-pintadas com o Onçafari foram em árvores. Em 2018 a porcentagem foi de 4% – Foto: Edu Fragoso

2 – Olhe para o alto. As onças sobem em árvores

Na Amazônia, na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, durante o período da cheia, a onça-pintada deixa o solo e passa a viver na copa das árvores. Com incrível flexibilidade ecológica, o felino muda o comportamento e começa a caçar presas que vivem no dossel para continuar em seu território, mesmo quando a água inunda a várzea da maior floresta tropical do mundo. Essa é uma das conclusões de uma pesquisa realizada pelo Projeto Iauaretê, do Instituto Mamirauá.

No Pantanal as onças também sobem em árvores, mas é bem provável que o motivo seja outro. Talvez elas procurem uma altura elevada para conseguir observar presas ou utilizem as árvores como refúgio para não serem incomodadas por mosquito ou evitar confrontos com queixadas. Talvez as árvores façam parte do território das onças e elas as utilizem para demarcação já que o cheiro se propaga melhor de alturas mais elevadas. O fato é que mais estudos são necessários e a equipe do Onçafari começou um projeto com armadilhas fotográficas para entender esse comportamento.

Nem sempre as onças estão ativas durante o avistamento – Foto: Edu Fragoso

3 – Nem sempre as onças estão ativas durante o avistamento

Elas não são preguiçosas, mas certamente descansam bastante. As onças-pintadas são predadores oportunistas e irão gastar energia somente nos momentos necessários. Assim, não é incomum encontrá-las descansando na sombra ou dormindo, especialmente quando está muito quente. Segundo o livro Panthera onca – À sombra das florestas, as onças-pintadas são mais ativas em períodos mais frescos, preferencialmente no final de tarde, começo da manhã ou à noite. Alguns especialistas consideram a espécie noturna, mas novas tecnologias apontam que o período de atividade da onça está relacionado com fatores ambientais e, muitas vezes, acompanham o período de atividade das presas preferenciais. Em 2018, no REC, 310 avistamentos (57,3%) foram durante o dia (entre 6h01 e 18h00) e 231 (42,7%) foram durante a noite (entre 18h01 e 6h00). Os dados do Onçafari sugerem que onças mais jovens ou fêmeas com filhotes costumam se deslocar mais durante o dia quando comparadas com onças adultas e sem filhotes.

Seja paciente, o animal que você está observando pode dar sinais que está ficando mais ativo. Um bocejo, espreguiçada ou uma simples coçadinha pode significar que o felino pode entrar em movimento. Fique atento se uma presa fácil estiver ao alcance – independente da hora – a onça pode tentar uma investida. Se um de nossos guias diz que vale a pena esperar um pouco, confie na informação e prepare a sua câmera.

4 – As presas podem botar uma onça pra correr

A onça-pintada é uma excelente caçadora e pode pegar presas grandes. O gado é uma presa que faz parte do cardápio da Panthera onca. No entanto, nem sempre o maior felino das Américas leva vantagem. Catetos e queixadas possuem presas afiadas e podem colocar uma onça pra correr. O tamanduá-bandeira se levanta, abre os braços e, com as garras afiadas, pode dar um abraço fatal em uma onça-pintada.

A onça é um predador forte e poderoso, com uma mordida capaz de quebrar cascos de jabutis. Mas também sabe quando é preciso se retirar de uma batalha.

5 – Onças-pintadas voltam para se alimentar de presas abatidas

Quando uma onça-pintada pega uma presa de grande porte, ela não consegue acabar com tudo de uma vez. Frequentemente o felino volta no dia seguinte e no posterior para se alimentar novamente.

Ao achar uma presa que foi morta por uma onça vale mais a pena fazer uma espera ao lado da carcaça do que rodar com o carro procurando pegadas ou o sinal de VHF dos colares. Vale lembrar que uma parte importante do processo de habituação no início do Onçafari foi feito com onças em carcaças. Em 2017, 109 avistamentos de onças-pintadas com o Onçafari (15,7%) ocorreram na presença de carcaças. Em 2018, 92 (17%) dos avistamentos ocorreram na presença de carcaça.

De qualquer maneira, ver uma onça-pintada na natureza é uma mistura de respeito e admiração. É um sentimento extraordinário que você irá entender somente após passar por essa experiência, que ficará gravada na memória para o resto de sua vida.

Onçafari: no rastro da onça-pintada

Turistas observam onça-pintada junto com a equipe do Onçafari – Foto: Edu Fragoso

A onça-pintada ocorria em todos os biomas brasileiros, mas hoje está extinta nos Pampas, e é classificada como criticamente em perigo na Caatinga e na Mata Atlântica, em perigo no Cerrado e vulnerável no Pantanal e na Amazônia. Nos biomas em que ela se encontra mais ameaçada, a perda e fragmentação de habitat leva ao isolamento das populações. Além disso, fazendeiros abatem os felinos para proteger seus rebanhos e, após décadas de perseguição e caça, a onça se tornou um dos animais mais difíceis de avistar na natureza.

Para mudar essa história, Mario Haberfeld fundou o Onçafari em 2011 no Pantanal, a maior área alagável do mundo, com duas estações bem definidas: cheia e seca. Esse ciclo das águas impediu a agricultura, conservou a biodiversidade e, segundo a ONG SOS Pantanal, 86% da vegetação nativa permanece na área. No entanto, 90% da terra pertence à propriedade privada e a pecuária é a principal atividade (e também a maior ameaça às onças).

Isa, uma das onças-pintadas reintroduzidas no Pantanal pelo Onçafari Rewild – Foto: Edu Fragoso

Segundo Mario, a ideia é fazer com que as onças se habituem a carros de safári para que possam se comportar da mesma maneira que os felinos selvagens africanos, que ficam confortáveis em torno dos veículos. O objetivo é atrair mais turistas, aumentar o interesse dos fazendeiros em observação de animais, gerar novas oportunidades de trabalho para a população local, ajudar na conservação do felino e, consequentemente, do Pantanal. “É necessário fazer as onças-pintadas – e toda a fauna e flora que coexistem com elas no mesmo habitat – mais valiosas vivas do que mortas”, afirma.

Uma técnica utilizada com leopardos e leões na África do Sul há 30 anos está sendo adaptada para a onça-pintada no Pantanal. Um animal selecionado é seguido por um rastreador, dia após dia, até que ele pare de considerar o carro como uma ameaça. O ideal é escolher uma fêmea. Quando ela tiver filhotes vai ensinar tudo para os pequenos. Assim, a habituação aos veículos será passada para a próxima geração. O processo não envolve métodos de domesticação (como o oferecimento de comida) e os felinos selecionados permanecem selvagens.

Fera, irmã de Isa (também foi reintroduzida no Pantanal pelo Onçafari Rewild) sendo observada por turistas do Refúgio Ecológico Caiman – Foto: Edu Fragoso

Mario trouxe rastreadores da South Africa’s Tracker Academy (Academia de Rastreadores da África do Sul), com a missão de treinar a equipe do projeto na arte de rastrear a vida selvagem para facilitar o encontro com o felino. Conhecer e perceber o ambiente – e o comportamento e as características dos sinais do animal que será seu alvo – é fundamental. As onças se movem em campos de gramíneas e densas florestas com solo coberto por folhas secas, locais onde a formação de pegadas é difícil. O rastreador pode perder o seu caminho. Para encontrá-lo novamente, é preciso analisar a localização, interpretar os sinais e colocar-se na posição do animal que está sendo rastreado.

Todo o processo é realizado no Refúgio Ecológico Caiman (REC), do empresário Roberto Klabin (fundador e presidente da SOS Mata Atlântica e da SOS Pantanal). Câmeras foram instaladas nas árvores para identificar as onças que habitam a fazenda e algumas fêmeas foram capturadas para a instalação de colares com GPS que mapeiam a área de cada indivíduo. Os animais selecionados para a habituação têm o território dentro do REC. Essa é uma condição essencial, já que a caça – apesar de ilegal – ainda acontece no Pantanal. Fazer a habituação de um felino que pode entrar em outras fazendas seria um risco para o animal. Ele poderia se aproximar dos caçadores e seria um alvo fácil. Tudo está sendo acompanhado pelo ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) e pelo Cenap (Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos e Carnívoros).

Esperança, uma das onças monitoradas pelo Onçafari – Foto: Adam Bannister

Quando você tem uma equipe no campo, que estuda continuamente a vida das onças-pintadas e constrói um relacionamento com elas – dando-lhes nomes e tornando-se cada vez mais especializada em encontrá-las – as possibilidades são enormes. Isso pode levar o ecoturismo no Pantanal ao mesmo nível da África em termos de safáris, gerar empregos melhores e mais qualificados para a população local e abrir oportunidades para as mulheres, que não têm espaço na criação de gado. Também pode gerar interesse na criação de áreas protegidas para todos os tipos de espécies dentro de fazendas e tornar a observação de vida selvagem uma atividade lucrativa que pode ser conciliada com a pecuária extensiva.

No Refúgio Ecológico Caiman isso já é uma realidade. O número de encontros com onças-pintadas passou de 138 no ano de 2013, para 696 em 2017, houve um crescimento de 7 para 88% nos avistamentos do felino por turistas no hotel (durante a estação seca, o número vai para 95,5%). Isso elevou a ocupação em 120%, aumentando exponencialmente a necessidade de contratação de pessoas locais para trabalhar e, em sete anos, o Onçafari tornou-se autossustentável através de ecoturismo e doações. Mas isso não é suficiente para Mario. Agora ele quer replicar todo o processo de habituação em outras partes do Brasil.

O Onçafari é um projeto sem fins lucrativos. Para fazer uma doação e ajudar a preservar o Pantanal e a onça-pintada acesse https://oncafari.org/ajude.html

Pesquisa traça perfil da onça-pintada na América do Sul

A onça-pintada (Panthera onca) é o maior felino das Américas. A perda e fragmentação do habitat associadas à expansão agrícola, mineração, implantação de hidrelétricas, ampliação da malha viária e a eliminação de indivíduos por caça ou retaliação por predação de animais domésticos são as principais ameaças enfrentadas pelo felino.
Status na Lista de Espécies da Fauna Brasileira Ameaçadas de Extinção: espécie vulnerável – Foto: Emiliano Ramalho

A onça-pintada era encontrada dos Estados Unidos até a Argentina, mas perdeu mais de 50% de seu território original. Apesar disso, a espécie ainda possui considerável distribuição geográfica e se sente em casa em ambientes quase opostos, do semiárido da Caatinga às florestas alagáveis da Amazônia.

Para entender melhor como é a relação do felino com os recursos disponíveis para a sua sobrevivência em lugares tão diferentes, pesquisadores utilizaram dados de telemetria (técnica que determina o posicionamento dos animais ao longo do tempo a partir de rastreadores via GPS) de 20 machos e 20 fêmeas para traçar o perfil da onça-pintada na América do Sul. De 1998 a 2015, foram registrados 87.376 posicionamentos individuais, através dos rastreadores, entre as 40 onças.

Onça-pintada na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, na Amazônia, um dos lugares onde o estudo foi realizado – Foto: Emiliano Ramalho

“Este estudo demonstra a importância dos dados obtidos através dos colares com GPS, que permitem uma ampla variedade de análises que são fundamentais no desenvolvimento de planos de ações para a conservação das espécies monitoradas por essa tecnologia”, diz Carlos Eduardo Fragoso, biólogo do Onçafari.

Os resultados podem ser encontrados no artigo Resource selection in an apex predator and variation in response to local landscape characteristics (Seleção de recursos em um predador de topo de cadeia e variação em resposta a características da paisagem local), que reuniu 29 pesquisadores de 18 diferentes centros de ciência – entre eles o Instituto Mamirauá e uma unidade de pesquisa do Ministério da Ciência Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) – e foi publicado no periódico El Sevier – Biological Conservation 228 (2018).

Na Amazônia, durante o período da cheia, a onça-pintada deixa o solo e passa a viver na copa das árvores. Com incrível flexibilidade ecológica, o felino muda o comportamento para continuar em seu território, mesmo quando a água inunda a várzea da maior floresta tropical do mundo – Foto: Emiliano Ramalho

“Conseguimos, pela primeira vez, juntar dados e fazer uma análise de uso de espaço e dos recursos naturais por essa espécie [onça-pintada], que ainda é muito pouco conhecida, não só em sua ‘área de vida’, mas também em uma área menor, em relação às escolhas que ela faz em uma escala reduzida. Conseguimos ter uma ideia mais refinada de como ela consegue os recursos”, explica Emiliano Esterci Ramalho, diretor Técnico-Científico do Instituto Mamirauá e um dos autores do estudo.

A pesquisa acompanhou indivíduos em cinco biomas sul-americanos e oito lugares diferentes:

  • Pantanal: Refúgio Ecológico Caiman (local onde está a base do Onçafari) e Estação Ecológica Taiamã
  • Amazônia: Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá;
  • Caatinga: Parque Nacional da Serra da Capivara;
  • Cerrado: áreas privadas;
  • Mata Atlântica: Parque nacionais do Iguaçu (Brasil) e Iguazú (Argentina), Parque Estadual de Ivinhema e Parque Nacional do Morro do Diabo;

O pesquisador Emiliano Ramalho (à esquerda) coleta amostras biológicas de onça-pintada na Amazônia – Foto: Amanda Lelis

O perfil da onça-pintada na América do Sul

De uma forma geral, as onças analisadas mostraram-se interessadas por regiões próximas a cursos de água (como rios, lagos e igarapés), tanto do ponto de vista da extensão total de seu habitat, quanto nos momentos em que estavam à procura de alimento –  ainda que a distribuição de onças inclua também lugares extremamente áridos, onde a água é escassa.

Isso sugere que esses felinos mudam seu comportamento de acordo com o tipo de ambiente no qual estão inseridos. Eles podem aumentar a extensão de sua movimentação, a área de seu local de repouso, sua atividade noturna e o uso de vales e cavernas para amenizar a temperatura e evitar a perda de água.

Descobriu-se que as onças tendem a evitar áreas abertas em regiões onde florestas cobrem mais de 58,4% da área. Entretanto, essa tendência pode variar significativamente em áreas diferentes, o que sugere que os indivíduos da espécie podem alterar sua preferência em função da disposição de florestas em seu habitat. Elas também mostram predileção por locais de menor densidade humana, evitando regiões com grandes concentrações populacionais.

“A preferência da espécie por áreas florestadas e próximas da água mostra a importância das matas ciliares no planejamento de corredores que permitam o deslocamento dos animais para conectar as populações, garantindo um maior fluxo genético que pode assegurar a sobrevivência da espécie em longo prazo”, comenta Fragoso.

Por outro lado, a presença de gado parece atrair indivíduos machos nos momentos em que estão à procura de presas, enquanto o mesmo não acontece com as fêmeas. É possível que essa diferença entre os gêneros aconteça por conta da extensão maior percorrida pelos machos diariamente, o que pode aumentar a probabilidade de encontros com o gado (o interesse dos indivíduos pelo gado pode ser um reflexo da disponibilidade de presas nas regiões examinadas).

O estudo também observou o deslocamento das onças-pintadas. De acordo com os dados coletados, não foram identificadas grandes alterações nas áreas percorridas pelos indivíduos da espécie quando próximos a estradas, o que representa um risco à conservação dos felinos, tendo em vista a possibilidade de colisões com veículos.

Curiosamente não há registros de onças-pretas no Pantanal. O bioma possui uma das populações mais estudadas e estáveis de onça-pintada com alta abundância de indivíduos e habitats razoavelmente bem preservados – Foto: Emiliano Ramalho

Segundo Fragoso, estima-se que as onças-pintadas como as conhecemos existam há cerca de 850.000 anos e elas são encontradas em uma grande diversidade de habitats. “Isso se refletiu numa flexibilidade muito grande na adaptação a diferentes condições ambientais, as quais sofreram alterações ao longo da história evolutiva da espécie. Mas nenhuma dessas mudanças se compara em rapidez àquelas causadas pelos seres humanos que, num curto período de tempo, aceleraram muito a perda de habitat e a redução populacional das onças-pintadas. O estudo mostra que isso tem forçado as onças a desenvolverem mecanismos para persistirem nessas paisagens antropizadas, como percorrer maiores distâncias até encontrarem áreas mais favoráveis. Isso acaba expondo os felinos a atropelamentos ou conflitos com os seres humanos”, comenta o biólogo.

A onça-pintada é considerada uma espécie que está no topo da cadeia alimentar e, por isso, é indicadora da saúde da biodiversidade de uma região. Se as onças estão bem, é provável que o ecossistema onde elas vivem esteja em equilíbrio. “A onça é uma espécie ‘guarda-chuva’. Por precisar de áreas amplas e ser carismática, a conservação dela permite a conservação de outras espécies também”, afirma Emiliano. “A gente precisa ter investimento continuado em ciência, conservação, divulgação da ciência, para preservarmos esses animais. A onça-pintada é símbolo da biodiversidade brasileira, então precisamos conservar essa espécie. Temos que investir em ciência, porque ciência é a base fundamental para conservarmos a biodiversidade.”

A partir dos resultados observados pelo estudo é possível estabelecer prioridades para a conservação da onça-pintada.

Onçafari Rewild: reintroduzindo onças-pintadas na natureza

É impossível descrever o sentimento de olhar nos olhos de uma onça-pintada selvagem – Foto: Gustavo Figueiroa

A onça-pintada é o maior e mais poderoso felino das Américas, sua pelagem amarela com rosetas pretas é a perfeita camuflagem para andar na floresta, onde os fachos de luz em meio à sombra das árvores tornam o felino praticamente invisível. Almofadas na sola das patas ajudam a abafar o som e permitem que o predador ande pela mata silenciosamente, como se fosse um fantasma. No entanto, o crescimento urbano faz com que a onça-pintada seja forçada a revelar sua presença ao procurar abrigo em cidades, o que gera conflito com pessoas.

A Panthera onca já perdeu 50% de seu território original. Segundo a Avaliação do risco de extinção da Onça-pintada Panthera onca (Linnaeus, 1758) no Brasil, ela ocorria em todos os biomas brasileiros, mas hoje está extinta nos Pampas e é classificada como criticamente em perigo na Caatinga e na Mata Atlântica, em perigo no Cerrado e vulnerável no Pantanal e na Amazônia. Por isso, cada onça-pintada selvagem é vital para a conservação da espécie.

A Isa é a irmã maior da Fera – Foto: Edu Fragoso

A história de Isa e Fera (as onças-pintadas que perderam a mãe em um trágico acidente)

Corumbá, junho de 2014. Durante o período de cheia no Pantanal, as chuvas elevaram o nível do rio Paraguai forçando uma onça-pintada a mudar suas duas filhas de lugar. A procura de um local mais elevado a mãe se abrigou em uma árvore junto com as pequenas. O problema é que essa árvore ficava na propriedade de um morador da região.

Os bombeiros, a polícia ambiental e uma veterinária foram chamados para fazer o resgate. Eles usaram dardos com tranquilizantes e uma rede foi preparada para amortecer a queda do animal. Mas a rede não aguentou o peso, e a onça caiu na água. Ela foi retirada, mas infelizmente não resistiu. As órfãs foram resgatadas, transferidas para o Centro de Reabilitação de Animais Silvestres (CRAS) de Campo Grande e estavam destinadas a passar o resto da vida em cativeiro.

A Fera é irmã menor da Isa – Foto: Edu Fragoso

Onçafari Rewild

Para tentar mudar essa história surgiu o Onçafari Rewild, um projeto, feito em parceria com Cenap (Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros) e ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade), com o objetivo de ser o primeiro no mundo a reintroduzir onças-pintadas na natureza com sucesso.

Um recinto a céu aberto, de 1 hectare – com açude, árvores e lugares para os animais ficarem escondidos – foi construído no Refúgio Ecológico Caiman (REC), a fazenda e hotel de ecoturismo onde fica a base do Onçafari. “Levamos em conta dois aspectos para a construção do recinto: uma localização central para aumentar as chances das onças estabelecerem território dentro da fazenda e um lugar relativamente alto que não inundasse durante a cheia,” comenta Lilian Rampim, bióloga e coordenadora do Onçafari.

Recinto construído no Refúgio Ecológico Caiman para abrigar Isa e Fera – Foto: Mario Haberfeld

A irmã maior foi batizada de Isa e a menor de Fera (os nomes foram escolhidos por apoiadores do Onçafari). Elas chegaram no recinto do REC em julho de 2015. (para apoiar o Onçafari participe da nossa campanha de crowdfunding ou acesse https://www.oncafari.org/ajude.html). Como estavam acima do peso, entraram numa dieta. Inicialmente recebiam pedaços de carne ou frango a cada três ou quatro dias.

No entanto, para a reintrodução ter êxito, as irmãs precisavam aprender a caçar. E isso só aconteceria se presas selvagens fossem introduzidas. Em outubro de 2015, quando saiu a Autorização para Atividades Científicas para Captura de Animais Silvestres In Situ, Isa e Fera começaram a receber animais vivos. “A gente ofertou as presas que o governo permitiu que a gente ofertasse: porco doméstico, jacaré, capivara e queixada. O processo foi baseado em videogame mesmo. Começando com presas mais fáceis que não ofereciam risco a elas e depois presas com grau de dificuldade maior,” explica Lilian.

Lilian Rampim, bióloga e coordenadora do Onçafari – Foto: Onçafari

Sete portões foram construídos para a introdução das presas para que as onças não soubessem onde os animais iriam entrar. Placas impediam que os felinos observassem os guias e pesquisadores do Onçafari introduzindo bichos dentro do recinto para que as irmãs deixassem de associar humanos com comida. A cada sete dias uma nova presa era introduzida por um portão diferente.

Quando não estavam caçando as irmãs interagiam entre si. “O fato de serem duas onças-pintadas foi crucial para o sucesso do projeto porque a cada momento que elas não tinham presa no recinto, elas tinham um comportamento lúdico. Que na verdade não era brincadeira, mas servia como teste de habilidade para a vida na natureza,” comenta a bióloga.

Retorno ao Pantanal

Em junho de 2016, quando as órfãs atingiram a maturidade sexual, desenvolveram a capacidade de vocalizar, passaram por todas as etapas de caça com sucesso e aprenderem a matar todas as presas utilizando a mesma técnica que onças-pintadas selvagens utilizam para abater suas presas (mordida na cervical para quebrar o pescoço), elas estavam prontas para voltar à natureza.

Segundo Lilian, um mês antes da abertura do recinto, as irmãs foram capturadas para um checkup.  Os pesquisadores verificaram que elas estavam saudáveis e com a musculatura desenvolvida. Colares com GPS foram colocados para o monitoramento dos animais após a liberação. “Elas passaram por todos os estágios de dificuldade e passaram com louvor. Era hora de soltar.”

Fera saiu primeiro. Isa seguiu um pouco depois. Após quatro dias a irmã menor pegou sua primeira presa selvagem em ambiente natural, um queixada adulto. A irmã maior iniciou com aves, mas logo começou a caçar animais de grande porte. Para Lilian essa foi a confirmação de que elas estavam prontas para viver como onças-pintadas selvagens.

Fera se tornou uma excelente caçadora após sair do recinto – Foto: Adriano Gambarini

Fera é observada por turistas do Refúgio Ecológico Caiman – Foto: Edu Fragoso

As onças residentes do REC tiveram um ano para se relacionar com as irmãs. Assim, quando elas saíram, não sofreram represálias. Em pouco tempo já estavam copulando com os machos da região, passaram a ser observadas pela equipe do Onçafari e por turistas que visitam o REC, foram tema de documentário da BBC (Jaguars: Brazil’s Super Cats) e até viraram estrelas de uma coleção de joias.

Porém, foi em julho desse ano que uma das câmeras traps registrou a cena que mais encheu a equipe de orgulho: Isa foi flagrada ao lado de uma pequena oncinha: sua primeira filha, Aurora. No mês seguinte, Fera foi registrada ao lado de seus dois primeiros filhotes. De acordo com o protocolo de reintrodução da IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza, na sigla em inglês) ainda é necessário esperar que as irmãs se tornem avós para considerar o Onçafari Rewild bem sucedido, mas não há como negar que todo o processo de reintrodução foi um feito extraordinário.

Graças a esses resultados, o Onçafari já construiu um recinto na Amazônia e começou o processo de reintrodução de outras duas onças-pintadas na maior floresta tropical do mundo. Segundo Lilian, o próximo passo é seguir para lugares onde o felino enfrenta mais problemas. “A gente buscou condições ideais para descobrir a receita do bolo para começarmos a aplicar em biomas onde a onça-pintada se encontra criticamente ameaçada.”

Ainda há muito trabalho pela frente, mas o futuro do Onçafari Rewild é promissor.

Joias inspiradas no Pantanal ajudam Onçafari na conservação das onças-pintadas

Isa, uma das onças monitoradas pelo Onçafari e estrela da coleção Preserve – Foto: Edu Fragoso

O Onçafari se uniu ao Atelier Schiper com o objetivo de atrair mais olhares para a conservação do meio ambiente, dos animais e da flora do Pantanal. Dois anéis inspirados na história de duas onças-pintadas monitoradas pelo projeto (contaremos mais sobre elas no próximo post) são as estrelas da Coleção Preserve. “Fiquei muito feliz com a parceria! Uma porcentagem de cada joia vendida será doada ao Onçafari e esses recursos ajudam a salvar o Pantanal”, afirma Mario Haberfeld, fundador e presidente da ONG.

A ideia veio após uma viagem que Alessandra Schiper, diretora criativa da joalheria, fez à maior planície alagável do mundo: “A rica fauna e flora da região do Pantanal serviram de inspiração para a coleção Preserve. Através da minha arte quis chamar atenção das pessoas para aquele cenário. Em cada peça tem um pouco do que eu senti ao estar ali. Em gratidão quis devolver para a natureza um pouco do que recebi. Pesquisei algumas ONGs e me identifiquei com o Onçafari. A joia passa então a ter outro sentido: quem adquirir também estará contribuindo para a conservação da natureza.”

A Isa foi a inspiração para esse anel do Atelier Schiper, – Foto: André Arthur

Os brincos, colares, pulseiras e anéis da Preserve nascem com formas geométricas que foram combinadas às curvas e contornos orgânicos, o que atribui vida e movimento único à coleção. Produzidas em ouro amarelo de 18K e com detalhes em rubi, esmeralda e ródio negro, as peças trazem animais brasileiros e elementos naturais transformados em peças únicas e exclusivas.

A Fera foi a inspiração para esse anel do Atelier Schiper, – Foto: André Arthur

As joias podem ser encontradas nas lojas físicas da marca (no Rio de Janeiro e em São Paulo) ou pelo site do Atelier Schiper. Use o código promocional: preserve.oncafari para ganhar 10% de desconto na compra de qualquer item da coleção Preserve.

A Fera é irmã da Isa e também é monitorada pelo Onçafari – Foto: Edu Fragoso

Os recursos obtidos com a parceria serão destinados para custear os salários dos nossos biólogos, veterinário, guias e colaboradores que contribuem para que o Onçafari continue seu trabalho em 6 frentes diferentes:

  • Ecoturismo: habituação de animais, como a onça-pintada e o lobo-guará, à presença de veículos de safári para que eles sejam vistos com mais frequência e por mais tempo por turistas. É importante dizer que o processo não envolve métodos de domesticação (como o oferecimento de comida) e os felinos selecionados permanecem selvagens.
  • Ciência: Monitoramento do comportamento de animais frente à atividade de ecoturismo com o objetivo de avaliar o estado de saúde de cada indivíduo e fazer pesquisas em ecologia e fisiologia das onças-pintadas e lobos-guarás, aumentando assim o conhecimento científico sobre as espécies e potencializando sua proteção.
  • Social: Atuação direta com as comunidades locais onde nossos projetos estão inseridos. Fornecemos uniformes e materiais didáticos para alunos e professores em escolas locais, realizamos palestras sobre profissões que promovem ascensão social e disponibilizamos atendimento na área da saúde (odontológico, médico e veterinário) em comunidades próximas.
  • Rewild: Estruturação de projetos de pesquisa com foco em reintrodução de onças-pintadas na natureza, em parceria com o CENAP-ICMBio. Uma importante ferramenta para a recuperação de populações ameaçadas de extinção.
  • Florestas: Preservação de áreas de interesse ecológico. Mantemos propriedades que abrigam áreas de mata nativa ou em regeneração com o objetivo de protegê-las. Além de auxiliarmos na criação de unidades de conservação e áreas de proteção.
  • Educação: O Onçafari Education tem por objetivo conscientizar a população sobre a importância da preservação da biodiversidade, através de palestras, atividades de campo, filmes e eventos.

Onçafari lança campanha de financiamento coletivo pela conservação da onça-pintada

Você gostaria de ajudar o Onçafari na preservação das onças-pintadas e dos lobos-guarás, promover a conservação do meio ambiente e contribuir com o desenvolvimento socioeconômico das regiões de atuação do projeto?

Com esse objetivo lançamos a campanha de financiamento coletivo (crowdfunding) Calendário Onçafari 2019 – deixe seus dias mais selvagens. Para participar é simples: escolha o valor da sua contribuição e sua recompensa no site https://ajude.oncafari.org/, faça um rápido cadastro, selecione a forma de pagamento e pronto.

Você irá adquirir um calendário exclusivo que inclui as datas comemorativas mais importantes para o meio ambiente, fotos incríveis das nossas onças-pintadas e lobos-guarás e, de quebra, ainda contribui para que o Onçafari continue seu trabalho de conservação.

Todos os recursos serão destinados para custear os salários dos nossos biólogos, veterinário, guias e colaboradores que contribuem para que a organização continue atuando nas comunidades em 6 frentes diferentes:

  • Ecoturismo: habituação de animais, como a onça-pintada e o lobo-guará, à presença de veículos de safári para que eles sejam vistos com mais frequência e por mais tempo por turistas. É importante dizer que o processo não envolve métodos de domesticação (como o oferecimento de comida) e os felinos selecionados permanecem selvagens.
  • Ciência: Monitoramento do comportamento de animais frente à atividade de ecoturismo com o objetivo de avaliar o estado de saúde de cada indivíduo e fazer pesquisas em ecologia e fisiologia das onças-pintadas e lobos-guarás, aumentando assim o conhecimento científico sobre as espécies e potencializando sua proteção.
  • Social: Atuação direta com as comunidades locais onde nossos projetos estão inseridos. Fornecemos uniformes e materiais didáticos para alunos e professores em escolas locais, realizamos palestras sobre profissões que promovem ascensão social e disponibilizamos atendimento na área da saúde (odontológico, médico e veterinário) em comunidades próximas.
  • Rewild: Estruturação de projetos de pesquisa com foco em reintrodução de onças-pintadas na natureza, em parceria com o CENAP-ICMBio. Uma importante ferramenta para a recuperação de populações ameaçadas de extinção.
  • Florestas: Preservação de áreas de interesse ecológico. Mantemos propriedades que abrigam áreas de mata nativa ou em regeneração com o objetivo de protegê-las. Além de auxiliarmos na criação de unidades de conservação e áreas de proteção.
  • Educação: O Onçafari Education tem por objetivo conscientizar a população sobre a importância da preservação da biodiversidade, através de palestras, atividades de campo, filmes e eventos.

Para saber mais sobre a campanha acesse https://ajude.oncafari.org/ e faça a sua doação.